Poesia

Ver-te é existir mais um bocadinho

Ver-te é existir mais um bocadinho. Mas esse bocadinho é tão pouco  Que a pouco me sabe Na sofreguidão dos dias que em mim se prolongam.  É tão pouco e em ti há tantoMistério para desvendar E nesta imensa solidão de corpos De almas perdidas somos apenas enigmas que por aí navegamE nem Santo AgostinhoFoi capaz de explicar.  Desvenda-me o olhar E que

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Não me acordes 

Não me acordes Não quero acordar Deixa-me mais um pouco Para te poder sonhar. Nesta noite tardeiPorque ao teu corpo me entreguei? Agora já não o seiDeixai-me ficarEm sonhos me encontrarei  Acordei Fui buscar um café Chiça, que o entornei!Estarei a sonhar de pé?  Não me acordes Para ir espreitar à janela Que desgraça! Passou por mim aquela cadela?  São cinco da tardeTanto dormi

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Tardemos o beijo

Beija-me, meu amor Beija-me o rosto Que em grande alvoroço Regozija em teu doce luar. Beija-me o mar distante Numa loucura delirante. Beija-me a noite escura Nas noites de tormento e amargura. Beija-me as tardes lentas Em fervura, por ti sedentas. Beijo os teus doces beijos. Beijo as tuas manias e ironias. Beijo-te num eterno

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Olhares que se cruzam

Oh, meu amor! Diz-me o que os teus olhos veem, quando olham para mim. Diz-me aquilo que sentes, quando te vem o cheiro a jasmim. Deixa-me ver no teu olhar Um luar adormecido Um beijo doce aquecido No âmago do teu jardim. Oh, que ternura e sentimento No meu pranto um tormento Por não te

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Dança da juventude

Dança, a pobre criança. Dança com o sabor do vento. Dança ao relento num mar de alento. Ai, como dança! E ri-se!Oh, se ri!Gargalhadas esvoaçam por entre a veste da juventude. Vibra a criatura!Oh, como ela dança!O vento que a balança e repõe a esperança. Meu amor, meu amor, não te vás! Ainda não!Dança! Esbelta

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Desprazer

Que desprazer! Desprazer de tudo fazer O que faço, desfaço O que construo, desconstruo Nada mais do que este cansaço. Ah, poder ser tudo e não ser nada! Desfaço-me, desconstruo-me Vivo e desvivo Sou eu ou sou nada? Ser eu sem ser nada É viver apagada Filipa Fidalgo 2015

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I have a deeply hidden and inarticulate desire for something beyond the daily life.

Virginia Woolf