Desprazer

Que desprazer!
Desprazer de tudo fazer
O que faço, desfaço
O que construo, desconstruo
Nada mais do que este cansaço.
Ah, poder ser tudo e não ser nada!
Desfaço-me, desconstruo-me
Vivo e desvivo
Sou eu ou sou nada?
Ser eu sem ser nada
É viver apagada

Filipa Fidalgo 2015

Que somos nós? Navios que passam um pelo outro na noite, Cada um a vida das linhas das vigias iluminadas E cada um sabendo do outro só que há vida lá dentro e mais nada. Navios que se afastam ponteados de luz na treva, Cada um indeciso diminuindo para cada lado do negro Tudo mais é a noite calada e o frio que sobe do mar.

Álvaro de Campos